Um candidato mal tratado pode deixar de ser cliente
Experiência do Cliente · 10 de julho de 2026 · 2 min de leitura
“Entraremos em contacto, seja qual for a decisão.”
Quantas pessoas já ouviram esta frase num processo de recrutamento — e nunca mais receberam resposta?
Pessoas, não “recursos”
Em tempos de crise, o desemprego aumenta de forma significativa — em várias partes do mundo. Ao mesmo tempo, os processos de recrutamento tornam-se mais complexos e, muitas vezes, mais orientados para as necessidades das empresas do que para as pessoas.
E é importante reforçar: falamos de pessoas, não apenas de “recursos humanos”. Porque uma pessoa traz consigo:
- P — Paixão
- E — Envolvimento
- S — Ser
- S — Sentir
- O — Objetivos
- A — Alinhados
- S — Sustentáveis
O silêncio também é uma resposta
Partilho esta reflexão a partir da minha própria experiência. Quando procurava novas oportunidades, ouvi aquela promessa várias vezes. Em alguns casos, tratava-se de empresas cujos produtos eu consumia e nas quais acreditava — empresas cujos valores pareciam alinhados com os meus.
Com o tempo, percebi que muitas organizações não cuidam verdadeiramente dos seus valores, da sua marca e, muito menos, das pessoas.
O recrutamento também é experiência de marca
Muitas empresas esquecem-se de algo essencial: um candidato também pode ser cliente. Alguém que compra, recomenda, acompanha ou admira a marca. Pode ser, inclusive, um embaixador da empresa junto de amigos e familiares.
Mas a forma como é tratado durante um processo de recrutamento pode mudar completamente essa relação. Um candidato mal tratado pode deixar de ser cliente. E pode passar a associar a marca a uma experiência negativa.
Afinal, se uma empresa trata assim quem está a tentar fazer parte dela, como tratará quem já trabalha lá dentro?
Uma questão de atitude
Há empresas que compreendem bem esta ligação. Uma conhecida cadeia de fast food, por exemplo, inclui nos processos de avaliação de desempenho a verificação de que os gerentes contactaram todos os candidatos para comunicar a decisão final — positiva ou negativa.
Porquê? Porque cada candidato é, acima de tudo, uma pessoa. E também pode ser, ou vir a ser, cliente.
No fim, a diferença está muitas vezes numa palavra simples: atitude.
Cada candidato leva consigo uma opinião sobre a marca.